terça-feira, 9 de agosto de 2011

Garoa matinal

     Você tinha que ir. Quisera eu o contrário. E de repente eu me vi nos afastando à força e me controlando para seguir meus passos e não olhar aquele maldito automóvel se distanciando, levando a vivacidade dos meus olhos, a vontade dos meus braços, o ardor dos meus lábios.. levando você.
     Procurando por uma direção para dar sentido aos meus passos, mas ela não apareceu. Meu corpo e mente estáticos não pertenciam àquele lugar, ou pertenciam e por isso eu precisava sair dali, daqueles olhares e imagens.
     Seguindo qualquer rua que prolongasse o trajeto, no intuito de não chegar. Caminhei por vielas que nunca havia avistado e muito menos soubera onde desaguaria. O sol tímido no alto cheio de poder, e no asfalto havia resquícios do que havia sido aquela manhã. Aqueles espelhos refletiam o que eu não tivera o empenho de levantar o rosto. Os pedaços de céu aos meus pés. Implorando por atenção. E eu sentindo os efeitos na superfície, e mais.
     Me atendo àquele maldito ônibus. O grito contido que você odeia, e eu tentei libertá-lo. Mas eu nunca tenho o que dizer. Sinta o desespero dos meus olhos.
     Toda aquela garoa guardada. Seus movimentos inquietos demonstrando o que você não fez. Ou o que não disse. Nossas palavras ásperas.
Lutando para ser forte quando a fraqueza quer aparecer.
     Me atendo ao maldito ônibus e sua (re)aparição.

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