domingo, 6 de maio de 2012

Sarah se preocupava com o futuro dos pinguços. Eu também não gostava daquilo. Por outro lado, não podia vê-los sentados em torno da minha porta da frente, bebendo e contando suas histórias. Muitas vezes o charme diminui quando chega perto demais da realidade. E quantos irmãos a gente pode manter?

Hollywood - Bukowski p. 151


A simplicidade é sempre o segredo para uma profunda verdade, para escrever, para pintar. A vida é profunda em sua simplicidade. Acho que a pista de corridas me mantém consciente disso.
Mas, num outro sentido, a pista de corridas é doença, um recheio, um substituto para outra coisa que se deve enfrentar. Contudo, todos nós precisamos de fuga. As horas são longas e têm de ser preenchidas de algum modo até nossa morte. E simplesmente não há muita glória e sensação para ajudar. Tudo se torna logo chato e mortal. Acordamos pela manha, jogamos os pés para fora da cama, colocamo-los no chão e pensamos ah, merda, e agora?

Hollywood - Bukowski p. 205-206

quarta-feira, 2 de maio de 2012


O menino havia me colocado
Atrás do último exemplar da prateleira
Com livros antigos, enfileirados
E depois de ver o tempo passar
Eu fui tomar um ar.
Fui arremessada pelo vento
E fiquei sem reação
Em branco o pensamento
Até tomar outra direção.
Eu te olhei
Você me olhou
E o tempo não passou.
'É estupidez'
Ela pensou
Só dar o passo da vez
Mas a menina travou.
Fugir é fácil demais.
Talvez seja bobagem
O que foi só uma passagem.
Mas o que diria ele
Que escrevera em minhas páginas
Já não sei mais suas lástimas
Nem o que sentiu
Quando de repente me viu.