Ele acordou bem mais cedo que o habitual naquela manhã e foi surpreendido por uma figura conhecida. Não que ele não esperasse a tal surpresa, ou ainda menos ela. Como se estivessem prestes a adentrar a uma espécie de tempo abstrato, mas ainda assim a realidade restante naquele momento marcava território. Uma fissura no tempo movida por sensações e paixões. Imaginário ainda parecia todo aquele contato, que custou à eles acreditarem que não era um engano cerebral. A peculiaridade do cheiro, do sabor, da temperatura e do toque. Ele, por sua vez, abraçava-a de tempos em tempos como para ter mais prova da consistência temporária de toda aquela situação.
Se em alguns momentos aquele olhar era doce e cuidadoso, em outros foi agressivamente zombeteiro e desrespeitoso. Em poucos minutos ele a fez sentir tão pequena, prestes a sumir. Como se os gostos dela, as suas opiniões fossem absurdas e insignificantes, de modo que só estavam ali para o divertimento dele. Nada mais. Tão irredutível no seu mundo. Ela mal conseguira expressar tudo o que havia pensado, por mais que ele tivesse perguntado algumas vezes.
Depois de toda aquela repreensão, era difícil liberar seus pensamentos para uma próxima posição de defesa. Talvez fosse a ingenuidade dele ao receber opiniões divergentes, infantilidade, imaturidade, ela não sabia. Justificável, porém, ainda agressivo, impertinente e inconveniente. Mais uma vez ela se viu em um abismo de controvérsias praticamente impossível de se ultrapassar. Ela se pegou olhando para a rua mais que deveria, esperando pelo momento de tornar lembrança.
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