domingo, 8 de julho de 2012

O ar noturno sempre trará pensamentos
que passam despercebidos pela luz do dia
Escondidos com a luz
eles se mostram no escuro
Indefesos, ingênuos
pensamentos, nada mais

Pudera ser a intimidade com o escuro
o flerte com a lua
que trouxera à tona
a loucura sua

O mundo entendido
à sua maneira
sem passar despercebido
mas sem dar bandeira

É embutido demais
percebido no traço
de linhas proximais
que formariam um abraço

Sonhos, visões
alma sonâmbula
inventando aparições

segunda-feira, 2 de julho de 2012

E perdi a poesia
depois de encarar
o rosto que eu já conhecia

Ela não lembrava mais como se escrevia
mas ainda pegava a caneta

Que sejam linhas difíceis

domingo, 1 de julho de 2012

      Só não pense que aqui sofro desilusões; pelo contrário. Admira-me, Às vezes, com que prontidão eu renuncio a tudo o que eu esperava em favor daquilo que é real, mesmo quando é ruim.
Meu Deus, se algo disso pudesse ser partilhado. Mas se então isso ainda seria, ainda seria? Não, isso é apenas ao preço de se estar só.

Os Cadernos de Malte Laurids Brigge

domingo, 6 de maio de 2012

Sarah se preocupava com o futuro dos pinguços. Eu também não gostava daquilo. Por outro lado, não podia vê-los sentados em torno da minha porta da frente, bebendo e contando suas histórias. Muitas vezes o charme diminui quando chega perto demais da realidade. E quantos irmãos a gente pode manter?

Hollywood - Bukowski p. 151


A simplicidade é sempre o segredo para uma profunda verdade, para escrever, para pintar. A vida é profunda em sua simplicidade. Acho que a pista de corridas me mantém consciente disso.
Mas, num outro sentido, a pista de corridas é doença, um recheio, um substituto para outra coisa que se deve enfrentar. Contudo, todos nós precisamos de fuga. As horas são longas e têm de ser preenchidas de algum modo até nossa morte. E simplesmente não há muita glória e sensação para ajudar. Tudo se torna logo chato e mortal. Acordamos pela manha, jogamos os pés para fora da cama, colocamo-los no chão e pensamos ah, merda, e agora?

Hollywood - Bukowski p. 205-206

quarta-feira, 2 de maio de 2012


O menino havia me colocado
Atrás do último exemplar da prateleira
Com livros antigos, enfileirados
E depois de ver o tempo passar
Eu fui tomar um ar.
Fui arremessada pelo vento
E fiquei sem reação
Em branco o pensamento
Até tomar outra direção.
Eu te olhei
Você me olhou
E o tempo não passou.
'É estupidez'
Ela pensou
Só dar o passo da vez
Mas a menina travou.
Fugir é fácil demais.
Talvez seja bobagem
O que foi só uma passagem.
Mas o que diria ele
Que escrevera em minhas páginas
Já não sei mais suas lástimas
Nem o que sentiu
Quando de repente me viu.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O que o menino sonha?
quando se prepara para deitar
Além do travesseiro e fronha
um mundo inteiro para visitar?

Ou para um ordinário dia
cantarolar uma canção
Oferecer a empatia
de uma improvisação

Fazer um rabisco
e depois contornar
Trazer um chuvisco
para poder dançar

Sonhar sem limites
eu diria ao menino
Arrisco esse palpite
no poema pequenino